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OKR vs KPI: diferenças, exemplos e quando usar cada um

Os KPIs dizem se o negócio está saudável; os OKR provocam uma mudança concreta num período definido. Uma comparação lado a lado, exemplos por área e um guia para escolher.

Francisco Campos8 min de leitura
À esquerda, setas que convergem para um alvo; à direita, uma fila estável de barras iguais, a contrastar objetivos com indicadores de acompanhamento.

Os KPIs (indicadores-chave de desempenho) são as medidas contínuas que dizem se o negócio está saudável: faturação, margem bruta, churn, tesouraria, prazos de entrega. Os OKR (objetivos e resultados-chave) são um método para mudar algo num período definido, normalmente um trimestre: um objetivo qualitativo e alguns resultados-chave mensuráveis. Os KPIs acompanham; os OKR fazem mexer. A maioria das empresas em crescimento precisa dos dois, e a maior parte dos problemas surge quando se pede a um que faça o trabalho do outro.

O que é um KPI?

Um KPI mede o desempenho de algo que o negócio faz de forma contínua. Tem uma definição, um responsável, uma meta ou intervalo aceitável e um ritmo de revisão. Não acaba: a margem bruta vai continuar a ser acompanhada no próximo ano e no seguinte. Um bom KPI muda comportamentos quando se mexe. Um mau KPI é reportado todos os meses e ignorado.

O Balanced Scorecard, apresentado por Robert Kaplan e David Norton na Harvard Business Review em 1992, defendia que as equipas de direção não se deviam apoiar só em indicadores financeiros e que os deviam equilibrar com medidas de cliente, de processos internos e de inovação e aprendizagem. Continua a ser o melhor argumento para um conjunto de KPIs que vá além da demonstração de resultados.

O que é um OKR?

Um OKR tem duas partes. O objetivo diz o que se quer alcançar, em palavras que mobilizam: “Tornar o onboarding de novos clientes simples.” Os resultados-chave dizem como se sabe que se lá chegou, em números: “O tempo médio até o cliente estar ativo desce de 21 para 10 dias úteis.” John Doerr, que aprendeu o método com Andy Grove na Intel e o popularizou em Measure What Matters, resume a forma assim: vou (objetivo), medido por (resultados-chave).

Os OKR são temporários por natureza. No fim do trimestre, o objetivo foi alcançado, abandonado ou reescrito. O guia do re:Work da Google recomenda três a cinco objetivos com cerca de três resultados-chave cada, avalia-os numa escala de 0,0 a 1,0 e diz explicitamente que os OKR não são o mesmo que avaliação de desempenho.

OKR vs KPI: as diferenças

DimensãoKPIOKR
PropósitoAcompanhar a saúde do trabalho correnteProvocar uma mudança ou melhoria concreta
HorizonteContínuo, revisto à semana ou ao mêsUm período fixo, normalmente um trimestre
FormaUma métrica com meta ou intervalo aceitávelUm objetivo qualitativo e alguns resultados-chave mensuráveis
QuantosUm scorecard curto; raramente mais de quinze ao nível da empresaTrês a cinco objetivos por nível
AmbiçãoRealista; falhar é um alertaMuitas vezes ambicioso; cumprir em parte pode ser um bom resultado
Quando corre malInvestigar e corrigir, ou abrir um OKRAprender e decidir se passa para o trimestre seguinte
ResponsávelUma pessoa por KPI, normalmente o responsável da áreaUma pessoa por objetivo, muitas vezes entre áreas
Ligação à remuneraçãoPode existir, com cuidadoMelhor mantê-los separados de prémios e avaliações

Seis exemplos de OKR por área

Os exemplos abaixo são fictícios, pensados para uma empresa com cerca de cem pessoas. Mostram a forma de um bom OKR, não referências para copiar.

ÁreaObjetivoResultados-chave
ComercialFazer do segmento de empresas médias um segundo motor a sérioQuinze novos clientes de média dimensão assinados; ciclo de venda médio no segmento abaixo de 60 dias; pipeline do trimestre seguinte a três vezes a meta
MarketingSer a escolha óbvia dos diretores de operações na Península Ibérica400 leads qualificadas de funções de operações; três webinars com parceiros e 150 participantes cada; origem inbound acima de um terço do novo pipeline
Sucesso do clienteTornar o onboarding de novos clientes simplesTempo médio até estar ativo de 21 para 10 dias úteis; satisfação com o onboarding de 9 em 10 ou mais; nenhuma escalada de onboarding ao CEO
OperaçõesEntregar a horas, sempreEncomendas atrasadas de uma em cada doze para uma em cada quarenta; reclamações de entrega resolvidas no próprio dia durante quatro semanas seguidas; scorecard ativo para todas as transportadoras
ProdutoEntregar o que os maiores clientes não param de pedirAs três funcionalidades mais pedidas lançadas; 20 das 30 maiores contas a usar pelo menos uma em quatro semanas; pedidos de suporte sobre soluções alternativas reduzidos a metade
PessoasFazer valer os primeiros 90 dias de cada nova contrataçãoTodas as novas contratações com um plano de 90 dias escrito na primeira semana; inquérito de integração com nota de 8 em 10 ou mais; nenhuma saída voluntária nos primeiros 90 dias neste trimestre

Repare no que falta: tarefas. “Lançar uma nova checklist de onboarding” é a forma como a equipa pode chegar a um resultado-chave. Não é o resultado-chave. Para um formato de trabalho, o modelo de planeamento OKR segue esta estrutura.

Dez exemplos de KPI por área

Também fictícios, e deliberadamente sem metas: a meta certa depende do modelo de negócio e da fase da empresa. A maioria dos KPIs essenciais para PME em crescimento cabe nestas categorias.

ÁreaKPIO que lhe dizRitmo de revisão
FinançasMargem brutaSe o crescimento se paga antes dos custos de estruturaMensal
FinançasTesouraria e autonomia financeiraQuanto tempo o negócio tem para agirMensal
ComercialCobertura de pipelineSe a meta do próximo trimestre é alcançávelSemanal
ComercialTaxa de conversão de propostasA qualidade do pipeline e da vendaMensal
MarketingCusto por lead qualificadaCom que eficiência o investimento gera oportunidadesMensal
Sucesso do clienteRetenção líquida de receitaSe os clientes atuais crescem ou encolhemMensal ou trimestral
Sucesso do clienteChurn de clientesQuantos clientes saem, e quandoMensal
OperaçõesEntregas a horasSe as promessas aos clientes são cumpridasSemanal
SuporteTempo de resolução de pedidosCom que rapidez os problemas ficam fechadosSemanal
PessoasRotação voluntáriaSe a empresa mantém as pessoas que quer manterMensal ou trimestral

Como os OKR e os KPIs funcionam juntos

Os KPIs dizem onde olhar; os OKR dizem o que mudar. Na prática, o ciclo funciona assim:

  1. Um KPI sai do intervalo aceitável durante tempo suficiente para ser relevante.
  2. A equipa de liderança decide que a correção exige um esforço concentrado entre equipas e escreve um OKR para o trimestre, muitas vezes com o próprio KPI como um dos resultados-chave.
  3. O OKR é trabalhado ao longo do trimestre, com um ponto de situação semanal.
  4. Quando o KPI volta ao intervalo e estabiliza, o OKR fecha e a métrica regressa ao acompanhamento de rotina.

Andy Grove deixou uma salvaguarda útil em High Output Management: emparelhar indicadores, para que a medida de um efeito seja equilibrada por uma medida do efeito contrário. Se um OKR acelera as entregas, um KPI de qualidade deve ser acompanhado ao lado. É aqui que os dois sistemas se protegem um ao outro.

Os erros mais comuns

  • OKR como listas de tarefas. Resultados-chave como “lançar o novo site” medem atividade. Pergunte o que o site deve mudar e meça isso.
  • Vinte KPIs sem dono. Um dashboard comprido sem nomes é reporte, não gestão. Fique com as medidas sobre as quais alguém vai agir e ponha um nome ao lado de cada uma.
  • Um OKR para tudo. Se cada equipa tem cinco objetivos, nada é prioritário. O trabalho corrente pertence ao scorecard de KPIs.
  • OKR ligados diretamente a prémios. As pessoas aprendem depressa a definir objetivos seguros. O guia da Google é explícito: os OKR não são avaliação de desempenho.
  • Mudar a definição de um KPI a meio do ano. As tendências deixam de significar alguma coisa. Registe a definição e, quando tiver de mudar, guarde o histórico.
  • Definir OKR e nunca os acompanhar. Sem um ponto de situação regular, os OKR são escritos no início do trimestre e lembrados no fim.

Um guia para decidir

Se precisa deUsePorquê
Saber se o negócio está saudável esta semanaKPIsMedidas contínuas com responsáveis e intervalos
Resolver um problema que exige várias equipas durante um trimestreUm OKRFoco, prazo e medidas partilhadas
Entrar num novo mercado ou lançar uma nova ofertaOKRCaminhos incertos ganham com objetivos de resultado
Gerir um processo estável e repetívelKPIsNão há nada a mudar, só a manter dentro do intervalo
Alinhar a equipa de liderança em poucas prioridadesOKR ou prioridades de 90 diasLista curta, responsáveis claros e revisão trimestral
Reportar a um conselho de administração ou a investidoresKPIs e o progresso dos OKRSaúde e mudança, lado a lado

Se optar pelos OKR, planeie-os por trimestres com a mesma disciplina de qualquer outra prioridade. O guia do plano de 90 dias cobre a sessão de planeamento, o ritmo semanal e a revisão.

Perguntas frequentes

Um KPI pode ser um resultado-chave?

Sim, e muitas vezes deve ser. Se o churn está alto demais, “reduzir o churn mensal para um nível definido até ao fim do trimestre” é um bom resultado-chave. A diferença está no horizonte e na intenção: quando a meta é atingida e se mantém, volta a ser um KPI.

Uma empresa pequena precisa de OKR?

Não necessariamente. Uma empresa de vinte ou trinta pessoas funciona muitas vezes bem com um scorecard de KPIs e três prioridades trimestrais, cada uma com responsável e definição de concluído. É a mesma ideia com menos vocabulário. Os OKR formais justificam-se quando várias equipas precisam de se alinhar em resultados partilhados.

Quantos KPIs deve uma empresa acompanhar?

Tão poucos quanto a equipa de liderança consiga de facto rever com ritmo fixo, com um responsável por linha. Cada área pode ter mais detalhe por baixo. O guia do dashboard de KPIs executivo explica como os escolher.

Um próximo passo prático

Comece pelo modelo de dashboard de KPIs para fixar as medidas de saúde e acrescente OKR só onde algo tem de mudar. Se preferir uma visão de fora sobre se os seus objetivos e métricas encaixam, um Diagnóstico Operacional mapeia isso num projeto curto e de âmbito fechado, e o nosso trabalho de dashboards de KPIs e gestão de desempenho cobre a construção.

Fontes e referências

Referências para os conceitos e regras abordados. Os modelos e as recomendações de implementação apresentados são a nossa aplicação prática.

Francisco Campos

Co-fundador — Estratégia, Operações e Execução

Francisco Campos

Geriu empresas em crescimento por dentro: de primeiro colaborador a COO da Onport, até à aquisição pela Farfetch.

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Francisco Campos

Francisco Campos

Co-fundador · Estratégia, Operações e Execução

Ajuda a clarificar prioridades, estruturar equipas e ligar a organização à execução do negócio.

Ana Reis

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Co-fundadora · Liderança, Pessoas e Mudança

Desenha e implementa sistemas de Pessoas, de performance e carreiras às rotinas de gestão.

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