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KPIs essenciais: os indicadores de desempenho que uma PME em crescimento deve acompanhar

Dezoito exemplos de KPIs em finanças, vendas, operações, clientes e pessoas, com o que cada um mede e porque merece lugar. E ainda quantos acompanhar e como construir o primeiro scorecard.

Francisco Campos8 min de leitura
Scorecard com quatro grupos de barras horizontais, cada uma comparada com uma marca de objetivo, a representar os indicadores essenciais de uma PME.

Os KPIs essenciais de uma PME em crescimento são o pequeno conjunto de números que diz à equipa de liderança, todas as semanas ou todos os meses, se o negócio está saudável: faturação face ao plano, margem bruta, tesouraria, pipeline, desempenho na entrega, retenção de clientes e os indicadores de pessoas que antecipam a capacidade. Um KPI útil tem uma definição precisa, um responsável, uma meta, uma frequência de revisão fixa e uma única fonte. A maioria das empresas entre vinte e trezentas pessoas precisa de dez a vinte ao nível da empresa, não de cinquenta.

O problema da maioria das empresas em crescimento não é a falta de números. É que os números estão espalhados entre a contabilidade, o CRM, algumas folhas de cálculo e a memória do fundador, e ninguém concorda sobre o que significam. Agrupá-los por área, e não pelo sistema que os produz, segue a lógica do balanced scorecard que Robert Kaplan e David Norton apresentaram na Harvard Business Review: os resultados financeiros ficam ao lado dos indicadores de clientes, processos e pessoas que os explicam. Segue-se um conjunto selecionado de exemplos de KPIs que esperaríamos encontrar na maioria das PME, agrupados por área, e depois a forma de os escolher e de os pôr a funcionar.

O que torna um KPI útil

Um KPI é útil quando uma má leitura leva a uma conversa e a uma decisão. Para isso, cada um precisa de cinco coisas escritas.

AtributoO que significaExemplo
DefiniçãoA fórmula exata, incluindo o que entra e o que fica de foraMargem bruta: faturação menos custos diretos, a dividir pela faturação, sem efeitos pontuais
ResponsávelUma pessoa que responde pelo número e por o explicarDiretor de Operações
MetaO nível ou intervalo considerado saudável no períodoUm mínimo acordado no plano anual
FrequênciaCom que regularidade é atualizado e revistoMensal, na monthly business review
FonteO único sistema de onde o número vemContabilidade, depois do fecho do mês

Se faltar algum dos cinco, o KPI vai ser discutido em vez de usado. Dois diretores levam números diferentes à mesma reunião e a conversa passa a ser sobre qual das folhas de cálculo está certa.

KPIs financeiros

Dizem se o negócio está a ganhar dinheiro e se consegue financiar o próprio crescimento. São sobretudo indicadores de resultado, mas nenhum scorecard funciona sem eles.

KPIDefiniçãoPorque importa
Faturação face ao planoFaturação do período comparada com o orçamento ou a previsão para o mesmo períodoO primeiro sinal de que o ano está a derrapar, a tempo de reagir
Margem brutaFaturação menos custos diretos, em proporção da faturaçãoMostra se o crescimento é rentável ou apenas maior
Fluxo de caixa operacionalDinheiro gerado pelas operações no período, antes de financiamento e investimentoLucro e tesouraria afastam-se nas empresas em crescimento, e é a tesouraria que acaba
Prazo médio de recebimentoNúmero médio de dias que os clientes levam a pagarUm prazo a subir consome em silêncio o dinheiro de que o crescimento precisa

KPIs comerciais

Descrevem a saúde do motor de receita antes de ela chegar às contas. A maioria são indicadores antecipados.

KPIDefiniçãoPorque importa
Novo pipeline criadoValor das oportunidades qualificadas acrescentadas no períodoÉ a faturação de amanhã. Um mês fraco aqui chega às contas um trimestre depois
Taxa de conversãoOportunidades ganhas a dividir pelas oportunidades fechadas, ganhas ou perdidasSepara um problema de volume de um problema de conversão
Valor médio por negócioFaturação dos negócios ganhos a dividir pelo número de negóciosMostra se está a subir ou a descer de mercado, de propósito ou não
Duração do ciclo de vendaMédia de dias entre a oportunidade qualificada e o contrato assinadoCondiciona a fiabilidade da previsão e o dinheiro necessário para crescer

KPIs de operações e entrega

Dizem se a empresa entrega o que vende, a horas e com a qualidade certa, sem depender de heroísmos.

KPIDefiniçãoPorque importa
Entregas dentro do prazoEncomendas ou projetos entregues até à data acordada, em proporção do totalA medida mais direta de fiabilidade do ponto de vista do cliente
Qualidade à primeiraTrabalho entregue sem retrabalho, devoluções ou correções, em proporção do totalO retrabalho é custo escondido e capacidade escondida
Utilização da capacidadeHoras produtivas ou produção face à capacidade disponívelBaixa demais corrói a margem. Alta demais antecipa atrasos e desgaste
Carteira de encomendasValor ou volume de trabalho confirmado e ainda não entregueDiz às operações o que vem aí e às vendas o que se pode prometer

KPIs de clientes

Dizem se os clientes ficam, se recomendam a empresa e se o risco está bem distribuído pela carteira.

KPIDefiniçãoPorque importa
Retenção de clientesClientes ativos no início do período que continuam ativos no fim, em proporção do total inicialA perda de clientes é muitas vezes a razão escondida de um plano de crescimento parado
Net Promoter ScoreProporção de promotores menos proporção de detratores, a partir da pergunta sobre a probabilidade de recomendar a empresaUma leitura simples e comparável da lealdade, apresentada por Fred Reichheld na Harvard Business Review
Concentração da faturaçãoProporção da faturação que vem dos dez maiores clientesDepender muito de poucas contas limita o poder de preço e aumenta a exposição

KPIs de pessoas

Dizem se a empresa tem capacidade para cumprir o plano. São os indicadores que as PME em crescimento mais vezes deixam de fora.

KPIDefiniçãoPorque importa
Saídas lamentadasPessoas que saíram e que a empresa queria manter, sobre o efetivo médio, nos últimos doze mesesPerder quem se queria manter é um sinal precoce de um problema de gestão
Funções críticas em abertoNúmero de funções de liderança ou chave por preencher, e há quanto tempoCada função crítica em aberto é capacidade que o plano assumiu e não tem
Faturação por colaboradorFaturação do período a dividir pelo efetivo médio em equivalente a tempo inteiroUm teste simples de que o efetivo cresce em linha com o negócio. Comparar ao longo do tempo, não entre setores

Quantos KPIs deve acompanhar?

Comece com menos do que acha que precisa. É mais fácil acrescentar um KPI que afinal faz falta do que retirar um que as pessoas aprenderam a defender. Escolha pelo menos um de cada uma das cinco áreas acima e pare aí.

Indicadores antecipados e indicadores de resultado

Os indicadores de resultado mostram o que já aconteceu: faturação, margem, perda de clientes. Os indicadores antecipados mexem antes e preveem-nos: pipeline, entregas dentro do prazo, qualidade à primeira. Um scorecard só com indicadores de resultado avisa dos problemas quando já são caros. Um scorecard só com indicadores antecipados pode parecer saudável enquanto as contas dizem o contrário.

Indicador de resultadoIndicador antecipado que o prevê
Faturação face ao planoNovo pipeline criado, taxa de conversão
Retenção de clientesEntregas dentro do prazo, qualidade à primeira
Margem brutaUtilização da capacidade, retrabalho
Saídas lamentadasFunções críticas em aberto, carga de trabalho nas equipas mais esticadas

O hábito útil é juntá-los aos pares. Para cada indicador de resultado no scorecard, pergunte que sinal anterior o teria avisado e ponha-o ao lado.

Construir o primeiro scorecard da empresa

  1. Partir da estratégia e do roadmap. Perguntar o que a equipa de liderança precisa de saber todas as semanas para ter confiança de que o negócio está saudável e o plano está no caminho certo.
  2. Escolher dez a quinze KPIs das listas acima. Pelo menos um por área. Resistir a acrescentar um número só porque é fácil de obter.
  3. Escrever os cinco atributos de cada um. Definição, responsável, meta, frequência, fonte. É aqui que está a maior parte do trabalho e do valor.
  4. Construir a primeira versão à mão. Uma folha simples, atualizada pelos responsáveis, chega para o primeiro trimestre. O nosso modelo de scorecard da empresa dá-lhe a estrutura.
  5. Revê-lo na mesma reunião, pela mesma ordem, sempre. Qualquer número fora da meta tem um comentário do responsável e, quando é preciso, uma ação com data.
  6. Automatizar só quando as definições estiverem estáveis. Depois de um trimestre de uso, passar o scorecard para um dashboard. O modelo de dashboard de KPIs e o nosso guia para construir um dashboard de KPIs executivo tratam desse passo.

Erros comuns

  • Medir o que está disponível em vez do que importa. O CRM exporta quarenta campos. A maioria nunca vai mudar uma decisão.
  • KPIs sem responsável. Um número que pertence à equipa de liderança não pertence a ninguém, e ninguém o explica quando se mexe.
  • Metas definidas depois do facto. Se a meta é acordada quando o resultado já se conhece, o KPI é uma descrição, não um compromisso.
  • Mudar definições a meio do ano. A tendência deixa de ter significado e a primeira conversa de cada reunião passa a ser sobre a fórmula.
  • Confundir KPIs com objetivos. Os KPIs acompanham a saúde do negócio. Os OKRs descrevem a mudança que se quer fazer neste trimestre.
  • Rever sem decidir. Se o scorecard é lido e nada muda, a reunião é um relatório.

Os KPIs só funcionam dentro de um ritmo de revisão, que explicamos no nosso guia para criar uma cadência operacional. Desenhar o scorecard e as rotinas à volta dele com as equipas de liderança é o centro do nosso trabalho de dashboards de KPIs e gestão de desempenho.

Próximo passo

Se a sua equipa de liderança tem muitos números mas nenhum scorecard comum, comece por um diagnóstico curto do que se mede hoje, de quem responde por cada número e de como é revisto. Marque um Diagnóstico Operacional e dizemos-lhe por onde começar.

Fontes e referências

Referências para os conceitos e regras abordados. Os modelos e as recomendações de implementação apresentados são a nossa aplicação prática.

Francisco Campos

Co-fundador — Estratégia, Operações e Execução

Francisco Campos

Geriu empresas em crescimento por dentro: de primeiro colaborador a COO da Onport, até à aquisição pela Farfetch.

Mais de Francisco

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Ana Reis

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Com quem vai falar

Francisco Campos

Francisco Campos

Co-fundador · Estratégia, Operações e Execução

Ajuda a clarificar prioridades, estruturar equipas e ligar a organização à execução do negócio.

Ana Reis

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Co-fundadora · Liderança, Pessoas e Mudança

Desenha e implementa sistemas de Pessoas, de performance e carreiras às rotinas de gestão.

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